De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) 23,9% dos brasileiros sofrem algum transtorno de ansiedade e o país tem a maior taxa no mundo, além de ser o quinto em casos de depressão. Mas, afinal, o que é ansiedade?

O que é ansiedade?

Ansiedade é um alerta do corpo que nos ajuda em novos desafios, mas atrapalha quando se torna rotina. Dessa forma, é possível que a ansiedade se torne um grande problema, quando ocorre de forma frequente e rotineira. É a partir dessas mudanças emocionais que precisamos ficar alertas para encarar o desafio de superar o incômodo.

Segundo Drauzio Varella, “os distúrbios de ansiedade são provocados por desordens do sistema nervoso simpático, que liberam, na circulação, quantidades inadequadamente altas dos hormônios envolvidos na reação de estresse”.

Ou seja, essas alterações em nosso bem-estar emocional podem se tornar algo maior e é aí que precisamos buscar a ajuda de especialista para encontrar novas ferramentas de curar a ansiedade e as situações de distúrbio.

Pessoas que estão mais propensas a sofrer com ansiedade são:

  • Mulheres
  • Viciados em jogos ou internet
  • Grávidas
  • Pessoas mais jovens

O que causa a ansiedade?

Não se sabe ao certo as causas de ansiedade, mas há fatores que podem influenciar uma pessoa a desenvolver ou estar mais predisposta a esse sentimento:

  • Genética: histórico de transtorno de ansiedade na família;
  • Traumas passados: como perda de um ente e acidentes marcantes;
  • Problemas na infância;
  • Doenças físicas;
  • Problemas cardíacos como as arritmias;
  • Doenças hormonais como hipertireoidismo e hiperadrenocorticismo;
  • Problemas respiratórios como doença pulmonar obstrutiva crônica;
  • Dores físicas crônicas;
  • Abuso de drogas, álcool ou medicação, como os benzodiazepínicos.

Veja também: A história real de 3 pessoas que venceram a ansiedade

Quais os sintomas de ansiedade?

Sintomas físicos da ansiedade:

  • Respiração ofegante e falta de ar
  • Palpitações e dores no peito
  • Fala acelerada
  • Sensação de tremor e vontade de roer as unhas
  • Agitação de pernas e braços
  • Tensão muscular
  • Tontura e sensação de desmaio
  • Enjoo e vômitos
  • Irritabilidade
  • Enxaquecas
  • Boca seca e hipersensibilidade de paladar
  • Insônia

Sintomas psicológicos da ansiedade:

  • Preocupação excessiva
  • Dificuldade de concentração
  • Nervosismo
  • Medo constante
  • Sensação de que pode-se perder o controle ou que algo ruim vai acontecer
  • Desequilíbrio dos pensamentos

Os sinais de ansiedade podem se manifestar psicologicamente e fisicamente e é preciso ficar atento a esses sintomas para que você possa medir o quanto a ansiedade está incomodando e atrapalhando a sua vida e as suas atividades rotineiras.

Para o especialista e psicólogo do Zenklub, Massashi Saito, “É importante entender que ansiedade não é algo tão ruim. Uma pessoa pode se sentir ansiosa quando acha que existe um risco futuro, uma ameaça de algo que pode acontecer e mesmo que as sensações provocadas por essa ansiedade não sejam agradáveis, elas podem ser muito úteis. O problema é quando não se consegue controlar e a duração das sensações provocadas por ela, bem como não ter o controle daquilo que é real”, diz.

Sintomas físicos e psicológicos da ansiedade

Tipos de ansiedade

Existem 5 tipos principais de ansiedade, são eles:

  • Transtorno de ansiedade generalizada

    O Transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é a combinação de uma preocupação excessiva com o estresse recorrente e que passam a interferir na rotina.
  • Transtorno do pânico

    A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade, em que a pessoa sente fortes sensações de que está para morrer e perdendo o controle como se estivesse tendo um ataque do coração, mesmo que não haja um verdadeiro sinal de perigo.
  • Fobia social

    A fobia social (ou também chamada de ansiedade social) é um dos tipos de ansiedade mais comuns e a acontecem sempre em situações públicas. Há também outros tipos de fobia, como a claustrofobia, medo de locais fechados, agorafobia, medo de ficar sozinho em locais públicos, aracnofobia, medo de aranhas, tripofobia, medo de buracos, que também fazem parte desses transtornos da ansiedade, só que referente a objetos, situações e pessoas.
  • Transtorno obsessivo-compulsivo

    O Transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC é um distúrbio psiquiátrico que implica o medo de perder o controle ou ser responsável por algo terrível para si ou para os outros, como a culpa. Esse problema mental também é caracterizado por movimentos repetitivos e comportamentos compulsivos.
  • Transtorno de estresse pós-traumático

    O Transtorno de estresse pós-traumático ou TEPT é causado por um trauma, por um evento terrível que realmente aconteceu na história do indivíduo, e que sempre traz confusão, medo e os mesmos sentimentos que ele teve durante o ocorrido, ao recordar.

Medo X ansiedade

É comum confundirmos medo com crise de ansiedade, afinal, entre os dois está a sensação comum de preocupação. Você pode entender como distinguir, observando se esse medo está se tornando uma fobia.

Fobias exageradas ou medos descabidos também estão na lista de sintomas de transtorno de ansiedade. Seja o medo de que alguém entre em sua casa, o de voar, de animais ou de estar perto de muitas pessoas podem se tornar incapacitantes.

Se esse medo se tornar esmagador e desproporcional ao risco real envolvido, é um sinal revelador de fobia.

Teste de ansiedade

O reconhecimento e diagnóstico de ansiedade nem sempre são simples. Se você quer saber o seu nível de ansiedade, clique no link teste de ansiedade. Faça o questionário de 7 perguntas que tem duração de menos de 1 minuto. O teste é adaptado do teste científico Americano criado pelo Dr. Spitzer e Dr William (GAD – Generalized Anxiety Disorder 7).

Como controlar a ansiedade?

Há algumas estratégias para você praticar que podem ajudar a controlar a ansiedade e os seus sintomas. Veja as 15 dicas práticas:

  • Pratique atividades físicas regularmente;
  • Pratique meditação;
  • Faça exercícios de respiração;
  • Seja mais organizado;
  • Tenha foco e ocupe-se com o presente;
  • Fique mais tempo com quem você ama;
  • Confie em você;
  • Controle o seu estresse;
  • Tome um chá, um suco de maracujá e um banho morno;
  • Pratique o autoconhecimento;
  • Valorize seu momento de descanso e preserve suas horas de sono;
  • Evite pensamentos negativos;
  • Inclua na sua dieta alimentos com triptofano (eles ajudam na manutenção dos seus neurotransmissores);
  • Dedique momentos para cuidar de você;
  • Mentalize pensamentos positivos.

A adoção de um estilo de vida saudável é altamente recomendado para prevenir e reduzir a ansiedade, assim como a mudança de hábitos diários. A psicóloga especialista Lidiane Pontes destaca alguns: “Aprender a tolerar a incerteza.

Como você deve ter percebido, a terapia, seja ela com um psicólogo online ou presencial, é a sua melhor aliada na iniciativa de diminuir a ansiedade e enfim tratá-la.

Há também oportunidades de “tratamento caseiro” para quem prefere tentar começar sozinho ou para quem não sofre com o distúrbio propriamente dito. E não é chá de camomila apenas não, tem outras formas, veja:

Compreender que o perfeccionismo traz mais desvantagens do que ganhos. Aprender a manejar as variáveis incontroláveis em relação ao futuro. Treinamento em solução de problemas. Reavaliação da valoração da preocupação, entre outros.”, diz.

Além disso, muitas pessoas vêm adotando a prática da meditação ou mindfulness como um hábito saudável e comprovadamente poderoso no combate ao estresse e à ansiedade.

Nossa mente está acostumada a sempre controlar tudo e se sente desconfortável ao menor sinal de freio”, diz a psicóloga Marjorie Carvalho. A psicóloga listou no vídeo, cinco dicas para quem quer começar a praticar a meditação.

Dicas para um estilo de vida mais saudável

  • Ir para a cama cedo:  A privação do sono é um grande culpado de ansiedade. Sono inadequado pode ampliar as reações antecipadas do cérebro, aumentando os níveis globais de ansiedade;
  • Utilize música para relaxar: ouvir música reduz 65% dos níveis de ansiedade;
  • Acorde 15 minutos mais cedo: Como a maioria das pessoas ansiosas, você provavelmente está correndo pela manhã e gritando com todos a sua volta “Vamos atrasar!”.  Vá lentamente e prepare-se para um dia relaxado pela frente. Se você começar a se preocupar com a lista de tarefas, respire fundo e pense, há tempo suficiente;
  • Reduza a cafeína, o açúcar e os alimentos processados ​​da sua dieta:  A cafeína e baixos níveis de açúcar no sangue podem causar palpitações cardíacas;
  • Pratique gratidão: Tão ruim quanto a sua situação, sempre há alguém em pior situação. Faça uma nota mental sobre as coisas positivas da sua vida e lembre-se de tudo na vida é temporário, o bom e o ruim. Seja grato!
  • Meditação: não é fácil praticar meditação, então experimente diariamente esse exercício por 5 minutos, se concentrando apenas na sua respiração;
  • Atividade física: assim como para qualquer outro tratamento, movimentar o corpo e ter uma atividade física como hobby irá contribuir muito para um dia a dia mais produtivo e menos ansioso;
  • Saiba que os sentimentos não são fatos: Um dos trabalhos mais difíceis de um terapeuta é convencer seu cliente ansioso de que os sentimentos de culpa e vergonha não são precisos. Os pensamentos negativos causam sentimentos negativos, e muitos deles são automáticos, profundamente internalizados e enraizados no inconsciente;
  • Procure ajuda: ir a um especialista não faz de você uma pessoa com uma grave doença, mas sim alguém que se cuida e que se preocupa com o seu próprio bem-estar emocional.

Se mesmo adquirindo boas práticas, você ainda se sentir desconfortável com os sintomas, não deixe de procurar a ajuda de um psicólogo online ou presencial. Sem dúvidas ele poderá te ajudar a criar novas ferramentas de controle e te ajudar a viver muito melhor.

Como tratar a ansiedade?

Existem algumas abordagens para o tratamento da ansiedade, como psicoterapia,e  a combinação do tratamento psicológico com medicamentos específicos, como os ansiolíticos.

Para detalhar melhor as oportunidades de tratamento, vamos esclarecer alguns pontos sobre terapia e medicamentos.

Psicoterapia

  • Psicanálise freudiana: baseada nos pensamentos de Freud, esse tipo de terapia é baseada no autoconhecimento, focando no inconsciente e trazendo os problemas e incômodos para o consciente. É bastante utilizada para casos de ansiedade, pois ela se aprofunda na raiz dos pensamentos que desencadeiam esse transtorno.
  • Psicanálise lacaniana: tem foco na linguagem e é a partir dela que se chega ao que exatamente somos, ao nosso ser.
  • Psicanálise junguiana: Busca o autoconhecimento e o reconhecimento daquilo que temos como essência, através do tratamento por símbolos, utilizando os sonhos e imagens oníricas.
  • Gestalt: trabalha a pessoa e as suas relações dentro do ambiente em que ela está inserida, levando ela para o olhar de observador da sua própria existência para enfim conseguir enxergar o todo. É também considerada uma terapia holística, ou seja, como falamos, ela prioriza o que é integral para avaliar componentes isoladamente.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): trabalha com foco na resolução de situações específicas, como traumas e fobias, para tratar os sintomas.

Medicamentos

  • Ansiolíticos: ajudam a amenizar os sintomas, mas não determina o fim da causa do problema. Os ansiolíticos agem de diversas formas e isso depende de qual atuação no  sistema de neurotransmissão que eles possuem. Muitos desses medicamentos aliviam também sintomas físicos em fases mais agudas da doença e reduzem os níveis de hiperatividade cerebral.
  • Antidepressivos: não causam tanta dependência do paciente e possuem uma forma de tratar mais amena, sem grandes riscos. Os mais indicados são os antidepressivos que atuam na serotonina, um neurotransmissor vasoconstritor e regulador da atividade dos músculos lisos.
  • Antipsicóticos: podem ser grandes aliados paliativos no tratamento de momentos mais críticos, e assim como os ansiolíticos, não tratam a causa do problema, apenas aliviam sintomas emocionais e físicos.

Não se preocupe caso esses nomes pareçam complexos à primeira vista. A melhor indicação será mesmo de um especialista no assunto. Converse com um psicólogo online e descubra qual o melhor caminho a seguir.

Quer saber mais sobre o assunto, mas cansou de ler? Dá uma olhada nessa lista de filmes sobre ansiedade. Aproveite e conheça também nosso podcast:

Zenklub